Se a pergunta é qual termômetro comprar para trabalhar com ar-condicionado, a resposta curta é: um termômetro digital de contato, com sonda tipo espeto ou com sonda de braçadeira para tubo. É ele que resolve a maior parte dos atendimentos. O termômetro infravermelho a laser é cômodo e tem lugar, mas tem uma armadilha que explicamos adiante — e não substitui o de contato nas duas medições que mais importam.
O resto desta página explica por quê, e apresenta os outros tipos que aparecem em campo.
O que se mede com termômetro em refrigeração
Três coisas, e vale saber o que cada uma responde antes de escolher o instrumento:
- A diferença entre insuflamento e retorno do ar. Duas leituras no ar, uma subtração. É o diagnóstico mais rápido e mais barato que existe: se a diferença encolheu, há problema de filtro, de serpentina, de ventilador ou de carga. Pede sonda de ar, tipo espeto.
- A temperatura da linha de sucção, para calcular o superaquecimento junto com a pressão. Pede sonda em contato com o tubo, bem fixada e isolada.
- A temperatura da linha de líquido, para o subresfriamento, pelo mesmo método.
As duas últimas são as medições que dizem se o sistema está bem alimentado, e as duas exigem contato com o tubo. Guarde isso: é a razão pela qual o laser, por mais prático que seja, não dá conta do serviço.
Termômetro digital com sonda, ou termômetro espeto
Nasceu na cozinha e migrou para a refrigeração porque serve exatamente ao que se precisa. Mede uma faixa ampla — tipicamente de −50 °C a 150 °C —, custa pouco, tem leitura digital e a sonda rígida entra na grelha de insuflamento sem desmontar nada.
Com ele se faz a diferença insuflamento contra retorno em menos de um minuto, e se conclui se vale ou não abrir o manifold. Para quem está montando a primeira maleta, é o primeiro termômetro a comprar.
Termômetro de contato de alta faixa, o “pirômetro”
Uma observação de terminologia, porque ela confunde e aparece na busca: pirômetro, em rigor, é instrumento de medição por radiação, sem contato, concebido para temperaturas muito altas — o nome vem do grego pyr, fogo. Na prática do comércio brasileiro, porém, “pirômetro” rotula com frequência um termômetro digital de contato com termopar, de faixa larga, algo como −40 °C a 1.100 °C, com leitura em poucos segundos.
Como os dois usos circulam, não vale discutir o nome: olhe o instrumento. Se tem sonda ou ponta de prova, é de contato e precisa tocar o corpo medido. Se tem uma lente e um ponto de luz, é de radiação e mede a distância. É isso que decide se ele serve para a sua medição, não a palavra na embalagem.

Termômetro infravermelho a laser, e a armadilha da emissividade
Mede a radiação infravermelha que a superfície emite, e o laser serve apenas para apontar — ele não participa da medição. O que o visor mostra é a temperatura da superfície visada, não a do ambiente.
É excelente para o que se alcança com os olhos e não com a mão: telhado, dutos em altura, painel elétrico, condensadora em laje. E é aqui que vem o problema que quase nenhum texto menciona.
A leitura depende da emissividade da superfície. Emissividade é a eficiência com que um material emite radiação infravermelha, numa escala de 0 a 1. Superfície escura e fosca tem emissividade alta, da ordem de 0,9 a 0,95. Metal polido tem emissividade muito baixa — cobre polido fica na ordem de 0,05.
E praticamente todo termômetro infravermelho de campo vem ajustado para cerca de 0,95, porque é o valor que serve à maioria das superfícies. Consequência direta, e esta é a lição da seção: apontar o laser para um tubo de cobre nu devolve um valor sem relação com a temperatura real do tubo. O instrumento não está com defeito — ele está lendo uma superfície que emite quase nada e refletindo o ambiente em volta.
Há duas saídas quando só se tem o laser em mãos: colar um pedaço de fita isolante preta e fosca no tubo e mirar nela, ou pintar um trecho com tinta fosca escura. Mas, se a medição é superaquecimento ou subresfriamento, a saída certa é outra — usar sonda de contato, que é o instrumento do serviço.

O radiômetro que aparece em alguns catálogos trabalha pelo mesmo princípio: detecta a radiação infravermelha emitida pelo corpo, sem contato físico. Valem para ele as mesmas considerações de emissividade.
Termômetro de dilatação de metal
Usa a expansão e contração de um metal com a temperatura para mover um ponteiro sobre a escala. Não precisa de bateria, não trava e não tem tela para falhar — e é por isso que ainda é o padrão em câmara frigorífica, onde interessa uma leitura permanente, visível de longe e indiferente a umidade.


Termopar
A junção de dois metais diferentes gera uma tensão elétrica que varia com a temperatura — o efeito Seebeck. A partir dele se construíram tabelas que convertem tensão em temperatura para combinações conhecidas de metais, e é isso que o instrumento faz internamente.
O termopar é o sensor por trás da maioria dos termômetros digitais de contato de faixa larga. A limitação é de resolução: é difícil medir com exatidão variação menor que 1 °C, o que importa quando se está ajustando superaquecimento e cada grau conta.
São vendidos em muitos formatos e faixas — ponta de prova, braçadeira para tubo, fio flexível, sonda de imersão. Vale decidir a aplicação antes de adquirir um: a braçadeira para tubo é a que serve à linha de sucção, e é justamente a que as maletas costumam não ter.

Termistor
É um resistor sensível à temperatura: a resistência dele muda muito com pouca variação de temperatura, e medindo a resistência se obtém a temperatura.
Há dois tipos, e a diferença de nome aparece em toda placa eletrônica moderna:
- NTC, de coeficiente negativo: a resistência diminui quando a temperatura sobe;
- PTC, de coeficiente positivo: a resistência aumenta quando a temperatura sobe.
O termistor não é só instrumento de bancada: é o sensor de temperatura do equipamento. Em split inverter, em geladeira com placa e em praticamente todo controle eletrônico, o que informa a temperatura ao sistema é um NTC — e testá-lo exige medir resistência e temperatura ao mesmo tempo, contra a tabela do modelo. O verbete componentes elétricos trata desse teste.
Um cuidado que vale para todos: conferir o instrumento
Termômetro de campo leva pancada, cai, molha, fica no sol dentro da van. Vale conferir de vez em quando, e o método não custa nada: banho de gelo. Um recipiente cheio de gelo picado com um pouco de água, mexido, estabiliza em 0 °C. Se o instrumento marca mais de meio grau de desvio ali, a leitura de superaquecimento que ele der não serve para decisão.
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